Será a Primavera Brasileira?
“Legítimas e próprias da democracia”, essas foram as
palavras da presidente Dilma Rousseff para as manifestações que ocorrem em
várias cidades do país. Uma série de protestos iniciada no início do mês onde
questiona o aumento das tarifas de trem, metrô e ônibus em São Paulo, que subiram para R$ 3,20 a passagem.
Alguns já chamam os manifestos
de Primavera Brasileira, fazendo menção ao ocorrido no Oriente Médio – a Primavera
Árabe – e na Turquia – a Primavera Turca – no qual jovens protestaram contra os
sistemas políticos autoritários, as questões sociais de desigualdade e pobreza e até do fundamentalismo religioso.
No caso brasileiro a questão
não é o autoritarismo de Dilma, ou pressões religiosas querendo impor regras na
constituição federal, mas os diversos fenômenos que vem perturbando a população há tempos: o escasso investimento em educação, hospitais com dignidade sem meses de espera, o elevado gasto para a construção dos estádios
para a Copa do Mundo e claro, a corrupção. A passeata em São Paulo terminou com mais de
230 detidos, o maior número de presos em confronto com a polícia desde a
ditadura militar.
Uma análise publicada no
jornal espanhol El País destacou que os protestos que vem tomando as ruas das
principais capitais do Brasil causam “perplexidade” sobre as razões da
situação. Mesmo diante de ínfimo crescimento na educação, o país adquiriu
importância na geopolítica internacional, aliado a estabilidade e ascensão da
classe média, como também a melhoria da qualidade de vida da população.
Os jovens já marcharam pela paz,
democracia e liberdade. Os de agora vão as ruas para baixar o preço das
passagens. Mas será isso mesmo? Sabemos que a indignação vai muito além de
centavos. Ah, geograficamente falando, estamos ainda no outono, seria mais sugestivo a expressão "O Outono Brasileiro"...
