Reunião do G20, França
Difícil evitar a palavra fracasso. Ficou a impressão de que essas reuniões de cúpula do G-20 servem mais para que os chefes de Estado das 20 maiores potências do Planeta (cerca de 80% do PIB global) possam comparar o tamanho do próprio ego ao dos outros, do que para aprofundar práticas de governança coletiva. A pauta, pormenorizadamente preparada ao longo de todo um ano pelo governo da França, que presidiu e sediou o encontro, foi atropelada dois dias antes pelo turbilhão da área do euro, que ameaçou mandar para o espaço um pedaço enorme da economia mundial. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, desembarcou em Cannes, onde se realizou o evento, e logo tratou de advertir que o principal objetivo era construir uma porta corta-fogo para impedir a propagação da crise do bloco do euro – primeiramente, dentro dele mesmo e, depois, para o resto do mundo.
A outra proposta, de expandir a capacidade de intervenção do Fundo Monetário Internacional (FMI), ficou para ser examinada em outra oportunidade. Assim, o único avanço obtido no sentido de instalar uma porta corta-fogo foi o compromisso assumido “voluntariamente” pelo primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, de submeter trimestralmente as finanças da Itália à auditoria do FMI. Não deixa de ser um jeito de incutir a credibilidade que hoje falta na saúde das contas públicas italianas. Mas seria ótimo se simples monitoramentos bastassem para consertar rombos assustadores. Na prática, sob convulsões, a encrenca europeia continua sobre o colo dos europeus, de onde não saiu, embora alguns esperassem que os maiorais do mundo talvez pudessem tirar algum coelho de suas cartolas.
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